Histórias de fundadores

Alagoanos do Trakto estão ajudando a mudar o ecossistema local pelo empreendedorismo digital

Quando se fala em startups, logo se pensa em grandes eixos globais de inovação e tecnologia como Nova Iorque e Londres, bem como em comunidades empreendedoras maduras em que há muitos recursos e talentos à disposição das empresas focadas em crescer e escalar, como é o caso de São Francisco e Tel Aviv, por exemplo.

Entretanto, a realidade do empreendedorismo tecnológico vai muito além dos grandes centros e é comum observar que, em regiões menos desenvolvidas, os próprios empreendedores começam a criar uma rede de apoio e compartilhamento de aprendizados para movimentar seus ecossistemas locais. É o caso do que começa a acontecer em Maceió, com o Sururu Valley. 

Desde 2017, essa movimentação do ecossistema alagoano tem grande participação de Paulo e Jorge, os empreendedores por trás do Trakto, plataforma para criação e organização de materiais de marketing. A startup participou da primeira turma do Programa de Residência do Google for Startups e voltou para Maceió, após os seis meses do programa, com a missão de compartilhar sua experiência com a comunidade de empreendedorismo tecnológico da região. 

O início

Paulo conta que, ao longo de sua carreira, conheceu profissionais de diferentes áreas, sempre com a mesma dificuldade: não sabiam promover o próprio trabalho. Com o conhecimento que tinha acumulado desde a infância em animação, e a experiência que ganhou em todas as cidades em que viveu, Paulo prestava aos colegas o serviço de criação de materiais de divulgação e propostas comerciais mais cativantes. Em 2013, de volta a Alagoas após um período trabalhando fora do país, ele enxergou a oportunidade de estruturar melhor o ofício para passar a oferecê-lo em escala. “O Trakto foi uma construção de vários anos.”

O negócio saiu do papel, de fato, quando, por meio da indicação de amigos, Paulo conheceu Jorge, desenvolvedor que apostou na ideia desde o primeiro momento.

A mudança de eixo e o voto de confiança

Quando o Trakto surgiu, a startup era um dos únicos negócios em modelo SaaS - software como serviço - existentes no Nordeste brasileiro. Por isso, a participação em programas de aceleração de startups foi crucial para o desenvolvimento da empresa, que passou a ter com quem aprender e conversar sobre os desafios que enfrentava. 

Paulo lembra que, em Alagoas, muitas vezes, conversas que começavam pautadas em negócios acabavam voltando para assuntos como futebol e política, por falta de repertório.

Em 2016, Paulo e Jorge receberam a notícia de que haviam sido selecionados para a primeira turma do Programa de Residência do Google for Startups. Até então, segundo Paulo, o Trakto tinha um problema sério de credibilidade. Ser uma startup do Nordeste e ter que lidar com o fato de os grandes fundos de investimentos estarem em São Paulo dificultava o crescimento da empresa. Então, a chancela do Google fez toda a diferença: “O que o Google for Startups fez foi dizer: a gente acredita”.

O apoio do Google for Startups

Com todos os recursos, conexões e boas práticas do Google à disposição e sendo bem utilizados pelo time do Trakto, o resultado para a startup não demorou para aparecer: logo após o programa, o Trakto faturou o seu primeiro milhão em receita, triplicou o número de assinantes e quadruplicou o quadro de funcionários. 

Além do grande impacto no negócio, o programa também trouxe aprendizados para Paulo e Jorge como empreendedores, com muitos momentos de desenvolvimento pessoal. O foco no ser humano por trás dos negócios é a essência do Alumni Summit, encontro anual que reúne os fundadores das startups participantes dos programas do Google for Startups para dois dias de descompressão e troca de experiências.

A experiência como alumni do Google for Startups e seu perfil colaborativo, muito orientado a devolver o que aprende para a comunidade, acabou rendendo a Paulo um convite para representar o Brasil num encontro global de CEOs da rede do Google, que aconteceu em Israel no ano de 2018. Lá, ele teve a oportunidade de redescobrir as suas próprias motivações. “Foi um ponto de inflexão total na minha vida.” A viagem não só derrubou vários preconceitos que o alagoano tinha sobre a região, como ainda o fez perceber que os empreendedores israelenses jamais citavam o contexto social e político no qual estavam inseridos como forma de justificar as suas dificuldades. Na bagagem da volta, Paulo trouxe algumas boas histórias e uma nova postura: a partir daquele momento, não tinha mais motivo para reclamar. “Depois dessa experiência, a minha determinação em fazer o Trakto dar certo aumentou demais”, afirma.

O compromisso de retribuir 

Após o Programa de Residência, Paulo e Jorge decidiram voltar para Maceió com o objetivo de furar a bolha tech e replicar, na sua comunidade de origem, as vivências que a experiência no Campus do Google for Startups trouxeram para o seu negócio. 

O primeiro passo foi idealizar o Trakto Marketing Show, evento de empreendedorismo e marketing que acabou se tornando o maior da região Nordeste. Em 2019, já na sua terceira edição, o evento teve mais de 3.000 participantes, sendo 40% deles de fora de Alagoas. “A ideia surgiu da necessidade de mostrar para as pessoas que, apesar de todos os estereótipos, a comunidade digital e empreendedora é a mesma em todo lugar e que empresas de tecnologia podem ser bem-sucedidas seja no Silicon Valley, no Sururu Valley ou em qualquer outro lugar.”

Foi durante a edição de 2018 do Trakto Marketing Show que Paulo e Jorge encontraram uma outra forma de contribuir para o desenvolvimento do ecossistema alagoano, personificada na figura de Renato Teixeira, um jovem de origem humilde do bairro do Vergel, cuja família vive da pesca de sururu. Apesar de ter abandonado os estudos por conta do trabalho com o sururu, Renato sempre teve muito interesse por tecnologia, ainda que não tivesse o conhecimento técnico necessário para trabalhar na área. Mas, acreditando que uma das coisas mais valiosas do Trakto é o conhecimento a ser compartilhado e a oportunidade de trabalho que podiam oferecer, Paulo e Jorge decidiram investir no potencial de Renato e treiná-lo como desenvolvedor. Alguns meses depois, o jovem passou a integrar o quadro de funcionários da startup, onde atua como trainee de desenvolvimento.

Inspirado pela cultura do Google de criação de comunidade e fomento de oportunidades, Paulo e Jorge também deram a chance para que Renato criasse seu próprio negócio, criado a partir de um problema que ele identificou na realidade que vivia até começar a trabalhar no Trakto: o Zap do Sururu tem o objetivo de eliminar atravessadores do comércio de sururu e, assim, melhorar a condição de vida da sua família e de todos da sua comunidade no Vergel.

O futuro do Trakto

Continuar devolvendo para a comunidade local é o plano dos fundadores do Trakto. Mas sabem que há obstáculos: se existe a necessidade de formação da mão de obra local, é necessário também que se estabeleça uma cultura em que os profissionais podem errar e acertar. O plano é replicar a forma de contratação do Renato mais vezes dentro do Trakto e também em outras startups alagoanas.

Depois de três anos do programa, as projeções são para um 2020 de grande crescimento para o Trakto. A expectativa é dobrar o número de funcionários e atingir um faturamento anual de 4 milhões de reais, com a nova versão da plataforma, que chegará ao mercado por um preço quase 50% menor que o atual.

Com o objetivo de criar um programa de capacitação para os jovens desenvolvedores da região, o Trakto segue contribuindo para mudar a vida de seus clientes e funcionários, além de ter se tornado um exemplo de empresa nordestina de tecnologia que não precisou sair de sua terra natal para crescer e distribuir oportunidades localmente. 

Saiba mais sobre a Trakto

Fique por dentro das novidades da Trakto no Facebook  Instagram  Twitter

Categorias:

Publicidade/Marketing América Latina Histórias de fundadores